POR QUE O E-COMMERCE INTERNACIONAL ESTÁ CRESCENDO TANTO NO BRASIL?

 

Neste artigo, abordaremos o crescimento de gigantes do e-commerce internacional no Brasil, como a Shopee, o AliExpress e a Amazon, e o quanto eles vêm investindo no mercado brasileiro e conquistando clientes. Além disso, compartilharemos o que outros marketplaces e varejistas nacionais precisam fazer para não perder consumidores.

 

No último ano, devido à pandemia e às restrições para combater o contágio, as lojas físicas foram substituídas pelas lojas digitais. Como consequência, em 2020, o e-commerce obteve um crescimento exponencial. 

A 44ª edição do relatório da Ebit|Nielsen, o Webshoppers, apontou que o país atingiu R$ 53 bilhões em vendas no primeiro semestre de 2021 no comércio eletrônico, aderindo ao gosto dos consumidores brasileiros, mesmo em meio à flexibilidade de abertura do varejo físico. Tendência essa que levou o Brasil a ocupar a 6° posição no ranking de e-commerce emergente, com projeção de crescimento de 7,2% até o final do ano de 2025, segundo dados da Statista. Para a Visa, empresa de pagamentos, o volume de transações no comércio digital deve chegar a R$ 171 bilhões até 2023.

Os números apontam que se criou um novo hábito de consumo, dando abertura para que os compradores pudessem experimentar marcas diferentes, inclusive em canais internacionais. O estudo “O consumidor brasileiro e suas compras no E-commerce Cross Border (2º edição)”, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), revela que 65% dos consumidores entrevistados estão comprando mais em sites e aplicativos estrangeiros do que antes da pandemia. A pesquisa ainda mostra que o tíquete médio foi 7% acima do que nos canais nacionais. As categorias mais escolhidas pelos entrevistados na hora de comprar foram:

infográfico e-commerce

Fonte: Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC)

Enquanto os sites preferidos na hora de comprar são:

infográfico e-commerce

Fonte: Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC)

Outras observações foram a respeito do tempo de espera, em que 85% dos consumidores entrevistados afirmaram aceitar esperar até 45 dias para a entrega do produto e 60% pagariam mais para receber em menos tempo. Eduardo Terra, presidente da SBVC afirma: 

“O e-commerce brasileiro precisa estar ainda mais atento à concorrência com sites/lojas estrangeiros, pois o consumidor não vê as fronteiras e o tempo de espera pela entrega como barreiras tem diminuído bastante.”

Histórico dos sites internacionais de comércio no Brasil

O Mercado Livre ganhou tanta popularidade no Brasil que parece ter nascido aqui, mas suas origens são argentinas. Criado em 1999, se instalou por aqui na mesma época, se tornando a plataforma digital de vendas mais visitada da América Latina. Em artigo, a InfoMoney apresenta que o e-commerce argentino pretende investir R$ 10 bilhões no Brasil em 2021, visando defender a sua posição de liderança no mercado. 

Já a americana Amazon, iniciou suas operações em 2012 com uma abordagem muito menos agressiva, focando na venda de e-books e do Kindle. Foi apenas em 2017 que investiu em seu marketplace de fato, possuindo, atualmente, 62 mil lojistas cadastrados e cerca de 30 milhões de produtos disponíveis, além de três centros de distribuição e oito hubs para armazenamento de produtos no Brasil, de acordo com o portal Mercado&Consumo.

Voltando-se para o oriente, o AliExpress vende exclusivamente produtos importados, mas, segundo o estudo Beyond Borders 2020, o Brasil é um dos cinco maiores mercados que atua, possuindo um site em português e até uma equipe de atendimento preparada para atender os consumidores brasileiros. Além disso, na parte logística e a fim de garantir menores prazos de entrega, anunciou recentemente o fretamento de quatro voos semanais para o país, que com a pandemia, cresceu em 40% as vendas no portal, segundo matéria do Mercado&Consumo. 

A Shopee é outro gigante asiático que vem conquistando os brasileiros, mesmo tendo se instalado por aqui somente em 2019. O Brasil é o único mercado a possuir o serviço fora da Ásia, e ao que tudo indica, foi uma estratégia assertiva, já que o aplicativo é líder em downloads em território nacional, segundo pesquisa da RankMyAPP.

 

Performance dos sites internacionais no e-commerce brasileiro

Segundo relatório da Conversion com dados sobre o e-commerce no Brasil, em 2020 e nos primeiros meses de 2021, o setor de importados cresceu em 36% em participação de visitas, saindo de 6% para 8% no year over year (YoY) e atingindo 1,28 bilhão de acessos. No mesmo relatório, a Shopee e o AliExpress ficaram entre as maiores lojas e taxas de crescimento no Brasil, com 1954% e 41% respectivamente na taxa YoY, concorrendo com outros gigantes nacionais, como a Americanas, Casas Bahia e Magazine Luiza. Confira:

Fonte: relatório “E-commerce no Brasil Abril/2021” da Conversion

 

De acordo com a pesquisa Webshoppers da Ebit|Nielsen, o e-commerce cross border representou quase 18% do faturamento de R$ 53,4 bilhões no primeiro semestre de 2021 no comércio eletrônico brasileiro.

 

O que o e-commerce nacional precisa fazer para competir com os players estrangeiros? 

Embora o cenário no Brasil pareça promissor, é bom se atentar às dificuldades financeiras que o país enfrenta. Os consumidores estão cada vez mais exigentes em onde e como eles gastam o seu dinheiro. Alexandre Machado, diretor da consultoria especializada em varejo Gouvêa Consulting, afirmou à InfoMoney:

“Vai ganhar a disputa aquela empresa que souber combinar preço competitivo ao serviço de entrega e devolução satisfatórios”.

O reflexo disso é que, neste ano, 53% das compras realizadas foram entregues de forma gratuita, de acordo com relatório elaborado pela Neotrust.

Por aqui, os players nacionais não parecem ceder à disputa. O artigo da InfoMoney revela que a empresa Magazine Luiza planeja investimentos e aquisições em diferentes setores, e que o foco está nas operações online. A varejista também apresentou crescimento nas vendas digitais, faturando R$ 43,5 bilhões no último ano.

Mesmo assim, é necessário oferecer uma boa experiência de usuário. Mesmo com a alta do dólar, parte dos consumidores ainda veem vantagem em comprar nos canais online estrangeiros, de acordo com Jaqueline Bartzen, diretora global de engajamento com merchants no Ebanx, para o portal InfoMoney. Ela aponta que as estratégias de vendas na promoção de descontos, como a gamificação e os live commerces oferecidos pelas empresas asiáticas, e a abertura para sellers brasileiros venderem seus produtos utilizando a plataforma e serviços, acabam atraindo os consumidores nacionais, competindo assim diretamente com os e-commerces brasileiros.

A estratégia é observar o que esses players ainda não conseguem performar bem, por exemplo, a logística reversa, que inviabiliza a devolução de produtos como roupas e sapatos, desvantagem discutida por Machado. Mas vale ressaltar que o modelo brasileiro ainda está muito atrelado às vendas tradicionais, enquanto as outras empresas internacionais possuem maior aderência e experiência com operações mais tecnológicas. Vai ganhar aquele que oferecer a melhor experiência e serviço aos consumidores.

Por isso, a Uello, startup de logística e uma das Top 10 Autotechs, de acordo com o ranking da 100 Open Startups de 2021, é especializada em last mile e possui o objetivo de auxiliar médios e grandes players do e-commerce para oferecer a melhor experiência aos clientes finais, através de operações de ship from store, same day e reversa, além de tracking em tempo real e serviço de mensageria por SMS e WhatsApp.

TALVEZ POSSA TE INTERESSAR:

SE INSCREVA EM NOSSA NEWSLETTER